Toda vocação é uma missão: o Batismo como envio, não apenas como pertencimento

“Pelo Batismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão.” (CIC., § 1213). Assim o Catecismo da Igreja Católica define o Batismo, termo que, etimologicamente, significa “mergulhar”, “imergir”. Dotado de sinais e símbolos profundos, este sacramento não se limita ao rito externo, tampouco a uma tradição ou conveniência social. Os sinais visíveis apontam para o invisível: ao imergir na água, o batizando é sepultado na morte de Cristo, de onde sai com Ele ressuscitado como nova criatura, com a marca indelével de filho de Deus. Com o “banho da regeneração” é possível nascer de novo, da água e do Espírito (cf. Jo 3,5).

Muitos têm consciência de que o Batismo inaugura a vida no Espírito, a pertença ao Corpo de Cristo, isto é, à Sua Igreja. Mas poucos, talvez, consideram uma outra graça concedida pelo Batismo: o envio à missão. Por isso, todo batizado é, ao mesmo tempo, vocacionado e enviado.

O próprio Jesus mostra isso: após ser batizado, inicia a sua vida pública e começa a anunciar a Boa Nova por meio de sua vida, palavras e ações. Assim também, com o Batismo, o cristão é chamado não apenas a viver uma vida nova, mas a comunicá-la, propagá-la mediante todas as suas ações, intenções e atividades; em uma palavra: pela sua vida.

No Batismo, o cristão, ungido pelo Espírito Santo e incorporado em Cristo, torna-se com Ele sacerdote, profeta e rei. Como sacerdote, é chamado a transformar todas as suas atividades, orações, trabalhos, relações e até as provações em “hóstias” oferecidas a Deus em prol da salvação do mundo. Como profeta, anuncia a vida nova que recebeu no cotidiano, onde o testemunho dá peso às palavras. Como rei, recebe o dom da régia liberdade para vencer em si o reino do pecado, participando da realeza de Cristo não apenas no Reino futuro, mas nas realidades temporais (cf. CIC., § 901-913).

Se é assim, todo filho de Deus possui um chamado, uma missão a ser exercida no mundo, que o faz cooperar com a obra de salvação operada por Cristo. O apostolado não é privilégio de poucos. Não vive uma vocação apenas aqueles que são chamados ao sacerdócio ou à vida religiosa. Independentemente do seu estado de vida, se você é batizado, possui uma grande missão: levar a Boa Nova da vida em Cristo ao mundo, e esse “mundo” começa na sua casa, no seu trabalho, ao seu lado. É preciso oferecer ao mundo a oportunidade de conhecer a Deus, e a missão consiste justamente em dar a conhecer, pois “só se ama aquilo que se conhece” (Santo Agostinho). Como afirmou São Francisco de Assis, talvez a sua vida seja o único Evangelho que as pessoas irão ler.

Por isso, peçamos a Nosso Senhor que nos ajude a viver bem o nosso Batismo, a nossa filiação, a nossa vocação, a nossa missão, levando com a nossa própria vida o Evangelho a todos os que, consciente ou inconscientemente, desejam ver a Deus.

 

PRISCILA SILVEIRA LIMA

SERVAS DE NOSSA SENHORA DA ALEGRIA

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