O que o novo filme do Homem-Aranha tem a ver com a sua vocação?

A vocação — esse chamado de Deus que revela quem verdadeiramente somos — é um sentido que atravessa toda a existência humana, e por isso é um tema que aparece de formas inesperadas até mesmo na indústria cinematográfica. É o que acontece no novo filme do Homem-Aranha, cuja jornada do protagonista ilustra, de maneira surpreendente, a ideia de que ser chamado por Deus não significa deixar de ser quem se é.

No início do filme, Peter Parker começa a se esquecer de si mesmo. Ninguém se lembra dele, mas todos conhecem o Homem-Aranha, e assim toda a sua vida passa a girar em torno do herói, escondido atrás de uma máscara. Ele continua salvando a cidade, mas já não sabe quem é quando a retira, como se existissem duas pessoas dentro dele.

Até que, durante a última batalha, Jean Grey o confronta com uma realidade dolorosa: o passado não pode ser reconstruído, e ele está sozinho. Ela então lhe faz a pergunta central: “Quem é você? Peter Parker ou o Homem-Aranha?” Durante quase todo o filme, Peter acreditou que precisava escolher entre os dois. Mas naquele instante ele recorda sua história — o amor da tia May, os amigos, as perdas — e percebe que essas lembranças não revelam duas identidades rivais, mas uma única pessoa. Por isso responde: ‘Eu sou os dois.” Ao reconhecer isso, ele compreende que sua humanidade não é uma fraqueza a ser apagada, mas justamente o que dá sentido ao herói.

Mas o que isso tem a ver com você, jovem que está discernindo a vida religiosa? Talvez você também já tenha se perguntado se, para ser religiosa, precisará deixar de ser quem é. Mas Deus não chama uma personagem: Ele chama você, com sua história, seus dons e também suas feridas. A vocação não apaga a identidade — ela a revela, purifica e conduz à plenitude.

A vida religiosa não pode ser uma máscara. O hábito é sinal visível de consagração, mas não substitui a entrega interior; antes de vesti-lo, é preciso permitir que Deus revista o coração de verdade e liberdade. Por isso, não busque a vida religiosa para fugir de si mesma ou de suas feridas — a vocação não é uma fuga, é um encontro. Deus não quer transformá-la em cópia de ninguém; Ele deseja consagrar aquilo que existe de único em você, e por isso identidade e vocação não podem caminhar separadas.

Diante disso, talvez valha perguntar: “Quem eu sou diante de Deus? Quais máscaras ainda preciso retirar? Estou buscando a vida religiosa para me entregar ou para me esconder?” Quando você compreende sua verdadeira identidade e se abre ao chamado, pode colocar diante de Deus sua história inteira e dizer: “Senhor, é isto que eu sou. Se Tu me queres, recebe-me por inteiro.” Ser religiosa não significa deixar de ser quem você é — significa descobrir, em Deus, quem verdadeiramente foi criada para ser.

A santidade não é vivida atrás de uma máscara, mas na verdade de uma vida totalmente entregue. Não tenha medo de responder com toda a sua verdade, porque Deus não chama quem você tenta parecer — Deus chama você, por inteiro. E, diante desse chamado, resta uma escolha: Tudo ou nada!

Memória de um ano de graça e missão

Há um ano, na Diocese de Foz do Iguaçu, fomos acolhidas por Vossa Excelência Reverendíssima Dom Sérgio Borges de Deus, em missa dedicada à Nossa Senhora da Alegria. Esse é um sinal visível da ação de Deus em nosso meio, nos enviando em missão. Durante esse ano, as irmãs desta comunidade têm se dedicado incansavelmente pela salvação das almas, em serviço da Igreja, num amor incndicional por Deus. 

Louvamos a Deus hoje também pelo que Ele vem realizando em Foz do Iguaçu por meio do apostolado das Servas de Nossa Senhora da Alegria junto à diocese. Que cada vez mais as irmãs se gastem numa generosa disponibilidade ao serviço da messe do Senhor.

CAMILLE VITÓRIA MOURA
SERVAS DE NOSSA SENHORA DA ALEGRIA

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