
Quando reconhecemos nossa fraqueza, começamos a encontrar a verdadeira fortaleza.
A jovem sentada no banco da igreja, contemplando o caixão onde jaz seu irmão, escuta de uma conhecida: “Agora você vai ter que ser forte para ajudar a sua mãe.” O rapaz, passando por uma forte tribulação, é surpreendido pelo pai chorando em seu quarto, que lhe diz: “Seja homem! Homem não chora!”. O jovem que se prepara para um concurso é motivado pela namorada: “Confie em você mesmo, você consegue tudo o que quiser!”. A menina contempla o reflexo do seu rosto impassível no espelho do banheiro, após presenciar a discussão dos seus pais, enquanto pensa: “Sou forte, não vai ser isso que irá me abater.”
Você já escutou alguma dessas frases?
E para você, o que vem a sua mente quando escuta a expressão “pessoa forte”?
Talvez você leve para o lado literal da palavra, e imagine uma pessoa cheia de músculos. Ou talvez pense em alguém que raramente – talvez nunca – é visto chorando, alguém de rosto impassível, que não se deixa abater por nada nesse mundo. Alguém independente, capaz de fazer tudo sozinho, alguém que conquista tudo o que quer.
Todos os anos a Igreja, como uma boa Pedagoga, nos convida a adentrar um tempo forte: o tempo da Quaresma. É um tempo oportuno para se descobrir e reconhecer isso: por mim mesmo, eu não sou invencível, eu sou fraco. Entrar no tempo quaresmal é entrar com Jesus em um deserto, e ali deixar que nossas máscaras caiam, destruirmos as falsas imagens que fabricamos de nós mesmos e descobrirmos quem realmente somos. É tempo de descobrirmos onde está a verdadeira fortaleza.
Talvez o primeiro passo da Quaresma seja admitir isso: eu sou fraco. Se quisermos compreender a verdadeira fortaleza, precisamos primeiro aprender a permanecer diante da cruz.
PRISCILA SILVEIRA LIMA
SERVAS DE NOSSA SENHORA DA ALEGRIA



