
Quando o mundo manda descer da cruz, Cristo nos ensina a permanecer por amor.
Se você encara a definição de “fortaleza” como ausência de medo ou dor, como o uso de uma força humana excepcional, e até se acha fraco demais por não ver nada disso em você; se você se cobra para ter esse tipo de “força” ou quer formar essa “força” em alguém… talvez você se pareça com o povo de Israel, que aguardava a vinda do Messias.
Como era o Messias que todos esperavam? Um profeta revolucionário, que viria montado com sua cavalaria, sua tropa, com carros de guerra, demonstrando toda a sua força e poder, onde acabaria com o Império Romano. E como veio o Messias para salvar o mundo? A canção de Walmir Alencar poderia nos responder: “Sem as honras de um rei, sem carruagem, sem o brilho do ouro…”. Ele veio montado em um jumentinho. No lugar de um berço de ouro, veio ao mundo em uma manjedoura. Não usou de força física e terminou sua missão na terra morrendo em uma cruz, após ter sido injustamente condenado, ridicularizado, flagelado, sem, no entanto, revidar ou abrir a boca.
Olhando para o calvário, vemos o Homem-Deus que cai três vezes sobre o peso da cruz; olhando para a cruz, vemos o Cristo chagado, todo ferido; olhando para o Getsêmani, vemos a maior luta interior que um homem pôde enfrentar.
“Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!” (Lc 23,37). Em outras palavras, se você é forte, desce da cruz. Porém, a força não está em descer da cruz, mas em permanecer pregado nela, por amor a um bem maior: a minha e a sua salvação. Em meio a uma realidade repleta de atividades, onde o que vale é aquilo que faço, o quanto posso produzir e conquistar pela força da ação, é difícil compreender um Deus que, para salvar o mundo, se deixou pregar em uma cruz.
“Que Deus passivo é esse?”, poderíamos pensar. Santa passividade! Mais ativa do que a atividade do mundo. Pregado na cruz, “passivo”, Ele salvava o mundo. Suportando os sofrimentos, as bofetadas e cusparadas, Ele te redimia. E ainda hoje, aparentemente “passivo” sobre os altares do mundo, continua curando as minhas e as suas feridas, tão vulnerável a ponto de ser quebrado, profanado. E por quê? Por amor a mim e a você. Quanta força há nesta fraqueza, como disse São Paulo: “[…] pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder.” (2Cor 12,9).
No tempo da Quaresma, através das práticas de piedade que a Igreja nos propõe, somos exercitados a permanecer: permanecer na oração, ainda que não se tenha vontade de rezar; permanecer nos propósitos, nas penitências, ainda que venham as tentações e as quedas; permanecer quando dói, quando o sofrimento bate à porta. A força cristã não está em escapar da cruz, mas em permanecer nela por amor.
Mas o que significa, concretamente, essa fortaleza na nossa vida?
PRISCILA SILVEIRA LIMA
SERVAS DE NOSSA SENHORA DA ALEGRIA



