Nós passamos, mas Ela permanece: o que as crianças de Dombe me ensinaram sobre a Missionária que chega antes de nós.
Antes de iniciarmos a história de como Maria se tornou a primeira Missionária, quero partilhar uma experiência com você. Lembro-me de uma missão em Dombe, Moçambique, em que dávamos catequese para um grupo de crianças que não falavam português. Eu não sabia muito bem o dialeto local falado por eles, apenas alguns cumprimentos e palavras específicas. Mesmo assim, compreendi que poderia ensinar a Ave-Maria no dialeto, mas também em português. Ensinei muitas outras coisas, mas lembro-me especialmente da última aula que tive com eles. Tive a graça de vê-los rezando sozinhos a Ave-Maria.
E ali compreendi algo muito bonito: eles estavam dando a mão para a verdadeira Missionária, Aquela que permanecerá com eles para sempre, até o Céu. Eu iria embora, a missão terminaria e talvez muitas das coisas que ensinei fossem esquecidas. Mas Ela permaneceria. Compreendi, então, que a minha missão era realmente ser serva da Serva, já que Ela leva perfeitamente Jesus para todas as criaturas.
E é justamente dessa Missionária que quero falar. A missão d’Ela, depois de Cristo, começa aqui. Em um vilarejo em Nazaré, morava uma menina cujo nome era Maria, prometida a José, escolhida por Deus desde toda a eternidade. Assim como todos daquela região, ela esperava a vinda do Messias. Podemos imaginar o Arcanjo Gabriel no Céu, aguardando o momento de anunciar essa grande notícia, até que foi ao encontro de Maria. Ao receber a notícia de que o Messias viria através de sua vida, ela se perturbou, mas aceitou a sua missão. E aqui inicia a sua vida missionária, depois de Cristo. Maria disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Maria recebeu Jesus, mas não guardou Jesus para si. O Evangelho nos conta que, logo depois, ela partiu apressadamente (Lc 1,39).
Te convido a viver essa viagem conosco. O destino era a casa de sua prima Isabel, que se encontrava grávida em Ain Karim, em uma região montanhosa da Judeia, perto de Jerusalém, cerca de 150 quilômetros de onde se encontrava Maria, em Nazaré, na Galileia. É longe, viu?! Cerca de quatro a cinco dias de viagem, segundo se calcula. Maria foi acompanhada por Jesus, que já estava no centro de tudo. E, segundo a tradição, podemos imaginar que também foi acompanhada por seu esposo, São José. Afinal, ele não deixaria sua esposa ir sozinha, né?
E agora você também está nessa caminhada, leitor. Como a viagem é longa, eu aconselho você a dividir algumas coisas com eles: seus medos, seus anseios, angústias, tristezas, preocupações… Durante essa viagem missionária, você terá bastante tempo para partilhar a sua vida com a Sagrada Família. Conte a Maria seus medos, a São José seus anseios e a Jesus tudo aquilo que você carrega no coração. Aproveite essa viagem, porque você acaba de se tornar um missionário.
Mas o que é ser missionário? Segundo a Cartilha de Servos dos Jovens Sarados, ser missionário é compreender que todas as realidades em que Deus te colocar são um campo de missão: seu trabalho, sua família, sua universidade ou escola, seu círculo de amizades… tudo é campo missionário para salvar almas (Cartilha dos Jovens Sarados, bloco 1.9). Por isso, convivendo com os primeiros missionários nesta viagem, você aprende com eles. Maria compreendeu isso ao ir ao encontro de sua prima Isabel e levar a Boa-Nova. Ela recebeu Jesus e foi ao encontro do outro. E quando Maria chega, Jesus chega com Ela. João Batista estremece no ventre de Isabel. A alegria acontece. É como se a criação inteira exultasse, como diz o Salmo: “Os montes saltaram como carneiros, e as colinas, como cordeiros” (Sl 114,4).
E eu tenho certeza de que, durante essa viagem, todos ao seu redor poderão contemplar essa graça. Talvez você compreenda que não precisa estar em Moçambique para ser missionário. Seu campo de missão pode ser qualquer lugar onde Deus o colocar, a começar pelos lugares que você já percorre todos os dias.
Assim como aquelas crianças em Dombe puderam continuar rezando a Ave-Maria depois que eu parti, Maria permanecerá com elas. E talvez seja justamente isso que Deus queira nos ensinar através de Maria: nós passamos, mas Ela permanece. Nós ensinamos, anunciamos e partimos. Mas Maria permanece conduzindo cada filho ao encontro de Jesus.
Por isso, aproveite esta viagem. Caminhe com Maria, caminhe com São José, caminhe com Jesus. E deixe que Maria, a primeira Missionária, ensine você a levar Jesus a todos os lugares onde Deus o enviar. Porque, no fim, não é sobre nós permanecermos. É sobre Jesus permanecer, e Maria permanece justamente para isso: para que, por onde passarmos, alguém possa encontrá-Lo e se alegrar com Ele.
Nossa Senhora da Alegria, alegrai-vos!
LUCILIA MARTINS
SERVAS DE NOSSA SENHORA DA ALEGRIA



