Ao iniciar setembro, o mês da Bíblia, a Igreja no Brasil se dedica ao estudo, à reflexão e à divulgação da Palavra de Deus. Faz-se necessário, portanto, entender bem que essa Palavra é viva: ela deve nos levar à avaliação crítica das nossas vidas e à busca constante de colocá-la em prática no cotidiano, com bom êxito.
É, sobretudo, nas Sagradas Escrituras que a fé católica está embasada. Segundo a Constituição Dogmática Dei Verbum, é por meio de Cristo, Verbo encarnado, que os homens têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina, de modo que o Deus invisível, na riqueza do Seu amor, fala conosco como amigos e nos admite à comunhão com Ele.
É à luz dessa Palavra viva que vale relembrar um episódio central da história da salvação: a conclusão do plano salvífico de Deus subentendia a dureza de coração dos judeus. Esse fechamento interior, porém, não deve nos servir de motivo para julgar quem viveu aquele momento, mas sim de exemplo de como não agir — nós que nos decidimos por seguir Jesus. Isso porque, com frequência, sofremos daquilo que poderíamos chamar de “amnésia por conforto ou por conveniência”: esquecemo-nos do Evangelho e nos deixamos conduzir por nossas próprias vontades e por apetites puramente carnais, de maneira muito parecida com a dos fariseus.
Não cabe, portanto, condenar o comportamento daqueles que entregaram Jesus à morte, pois fazemos exatamente a mesma coisa sempre que decidimos não proceder de acordo com Sua Santa Vontade. Impõe-se, então, viver autenticamente o compromisso de amar Jesus — ainda que no Calvário, na dor, quando vêm as tentações, quando gritam as nossas próprias vontades.
Que este Mês da Bíblia seja, então, ocasião propícia para romper com nossa amnésia e reencontrar, na Palavra, o rosto de Cristo que nos convida à comunhão com o Pai. Ao longo de setembro, seguiremos juntos nesta série, acolhendo o Evangelho não como recordação distante, mas como voz viva que interpela o nosso hoje. Que, a cada dia, tenhamos a coragem de descer do monte da conveniência e subir ao monte da entrega — para que, no Calvário de nossas próprias vontades, possamos responder como verdadeiros discípulos: “Eis-me aqui, Senhor.”
GABRIELA MOURA SILVA
SERVAS DE NOSSA SENHORA DA ALEGRIA



