A Virtude da Fortaleza

Disposição firme para fazer o bem, mesmo quando isso implica sofrer por amor.

Afinal, o que é ser forte?

Talvez fosse bom começarmos por dizer o que não é ser forte…

Ser uma pessoa forte não é usar as próprias forças para conseguir o que se quer. Ser forte não é não ter medo. Ser forte não é ser indiferente perante a realidade. Ser forte não é aguentar todo tipo de dor. Ser forte não é atacar. 

Em um livro sobre as virtudes, do filósofo Josef Pieper, podemos encontrar uma definição muito precisa do que é fortaleza: é a capacidade ou disposição para receber ferimentos por causa de um bem maior. Ser forte implica ser vulnerável. Uma pessoa forte até sente medo, mas não se deixa dominar por ele, a fim de realizar um bem maior. Por amor a esse bem, enfrenta o medo, estando para isso disposto a cair em combate.

O Catecismo da Igreja Católica no número 1803 define virtude como uma “disposição habitual e firme para fazer o bem”, onde o ser humano emprega todas as suas potências para isso. No caso da virtude da fortaleza, esta energia utilizada pelo ser humano não é usada apenas para atacar, mas para resistir. E eis um dos males do mundo atual: a baixa capacidade de receber e suportar os sofrimentos. Temos muito a aprender contemplando Jesus na cruz.

A Quaresma é como um treino de resistência, onde dispomos de algumas armas: com o jejum, aprendemos a resistir ao impulso carnal; a oração nos faz resistir à dispersão, à autossuficiência, ao desespero; a esmola nos leva a resistir ao egoísmo, ao individualismo, à avareza. A Quaresma nos ensina a resistir. E São Paulo, aquele que em uma de suas cartas se considerou o último dos apóstolos (cf. 1Cor 15,9), também aprendeu isso na própria carne.

PRISCILA SILVEIRA LIMA
SERVAS DE NOSSA SENHORA DA ALEGRIA

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